Porque há pontes, há também abismos.
Cavernas, escarpas
Grutas profundas habitadas pelo silêncio
Das mortes:
é quando digo mãos e entendes pedra
se pronucio boca, ouves areia. E se aponto os rios,
só podes dar-me em troca espinhos e fadiga.
Porque há rochedos entre os caminhos
é este quem fala em mim:
forasteiro do corpo
estrangeiro da palavra.
domingo, 11 de outubro de 2009
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Fuso
E beba dessa raiva
Sabendo-a também amor.
Pois se me vês sempre aldeia, saibas antes:
- há espinhos e latidos emergindo
Sob a larga face da palavra.
Há nãos. E trevas e silêncios.
Porque desejar sempre pacto e assentimento
É antes uma condenação: hás de apagar-se
Teu próprio corpo
Nas fatais simetrias
Dos espelhos.
Depostas do mármore, cada palavra
Reduzida ao arremedo
Expatriados do ontem
O fuso dos rancores anoitecendo
No escuro da garganta.
Sabendo-a também amor.
Pois se me vês sempre aldeia, saibas antes:
- há espinhos e latidos emergindo
Sob a larga face da palavra.
Há nãos. E trevas e silêncios.
Porque desejar sempre pacto e assentimento
É antes uma condenação: hás de apagar-se
Teu próprio corpo
Nas fatais simetrias
Dos espelhos.
Depostas do mármore, cada palavra
Reduzida ao arremedo
Expatriados do ontem
O fuso dos rancores anoitecendo
No escuro da garganta.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Outonal [para Gabriel Bianchi]
Caberia minha linguagem
Nos vastos
Longuíssimos corredores
Da tua aldeia
Acordes de silêncio?
Minha palavra lunar
Aquática
De transparência
Renda e linho feito tenda
Sob o frágil abrigo
Da tua pele?
Seja de acordo e coragem
Teu aceno. Partilha. Uma pedra
Sobre a outra conformando o sim.
Estancadas as sedes
Alheias ao meu corpo as fomes
Impertencente o poema
Como o são os arrependimentos. E todas as pontes
Mapas, estradas
Hão de chamar-se desde sempre
Casa.
Nos vastos
Longuíssimos corredores
Da tua aldeia
Acordes de silêncio?
Minha palavra lunar
Aquática
De transparência
Renda e linho feito tenda
Sob o frágil abrigo
Da tua pele?
Seja de acordo e coragem
Teu aceno. Partilha. Uma pedra
Sobre a outra conformando o sim.
Estancadas as sedes
Alheias ao meu corpo as fomes
Impertencente o poema
Como o são os arrependimentos. E todas as pontes
Mapas, estradas
Hão de chamar-se desde sempre
Casa.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Calendários de Sítio
Resiste. Porque outra vez emerge a casa
Em desabitação.
Apenas relógios
Marcando o passo dos exílios,
Calendários de sítio.
Como se de tão próximos o mar e a praia
Se revestisse de árdua lonjura
O fio
Entre a boca e o ouvido.
E prossegue.
Não te recubra a dureza
Nem de imobilidade nem de surdez
Seja nosso maior oferecimento.
Antes caminha
Sobre as águas,
Entre as roseiras.
E descobres em mim o mercúrio
Feito ouro
Sob a pele malvestida de iras.
Em desabitação.
Apenas relógios
Marcando o passo dos exílios,
Calendários de sítio.
Como se de tão próximos o mar e a praia
Se revestisse de árdua lonjura
O fio
Entre a boca e o ouvido.
E prossegue.
Não te recubra a dureza
Nem de imobilidade nem de surdez
Seja nosso maior oferecimento.
Antes caminha
Sobre as águas,
Entre as roseiras.
E descobres em mim o mercúrio
Feito ouro
Sob a pele malvestida de iras.
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